UM POUCO DA SUA HISTÓRIA

A freguesia da Correlhã é uma das 51 do Concelho de Ponte de Lima.

Situa-se na margem esquerda do rio Lima à saída da sede do Concelho pela estrada que liga Ponte Lima a Viana do Castelo, Barcelos e Porto.

Foi Concelho, extinto em 1846 e pertenceu aos Arcebispos de Compostela até 1426 tendo posteriormente sido comprada pelos Duques de Bragança. É atravessada por uma via dos caminhos de Santiago.

Também já se chamou vila Corneliana.

A sua igreja matriz é um templo românico, atribuível ao século XIII, de uma única nave e abside quadrangular. Modificada no interior de uma forma quase radical, mantém, todavia, externamente a estrutura primitiva — se bem que com diversos ultrajes.
Destaca-se no edifício o curioso conjunto dos modilhões, a toda a volta da igreja, representando figuras humanas, animais ou motivos fito mórficos.
Obra igualmente românica, de mestres provincianos do século XIII, a Capela de Santo Abdão desperta interesse pelas suas proporções reduzidas e pela decoração. Curioso o facto de, na porta principal, entre duas composições esculpidas, ter existido, em relevo, uma figura masculina desnuda (de Adão?) que, por ordem eclesiástica e por ser considerada imagem impúdica, se picou em 1750.
No interior do pequeno templo assinala--se o arco triunfal da abside, sustentado por colunelos românicos com capitéis. Um retabulozinho dos começos do século XVIII enquadra a escultura de madeira do padroeiro da capela — eremita e peregrino lendário.


Situado na encosta da Nó, numa aprazível clareira que o verde dos pinhais circunda, o Santuário de Nossa Senhora da Boa Morte é um templo de romaria cujo exterior banal e arcaizante de maneira alguma denuncia a espectacular máquina escultórica encerrada no seu coração.
A construção do santuário iniciou-se pelos fins do século XVII ou princípios da centúria seguinte, tendo-se trabalhado na obra durante boa parte da primeira metade do século XVIII. Só em 1740 se começou a erguer o coro, devendo todo o monumento ter ficado concluído dois anos depois.
No seu interior — malgrado alguns atropelos acrescentados e repintados — guarda-se um monumental, uma vibrante composição de talha e imaginária, verdadeiramente estranha para Portugal, antes a recordar soluções do barroco espanhol, que sobressai, sumptuosa, na monumental capela-mor.
Trabalho realizado, em 1720, pelo entalhador bracarense Francisco Ferreira de Castro, resulta numa aparatosa e insólita composição de talha estilo nacional, emoldurando uma vasta tribuna com dossel, destinada a uma série de grandes estátuas em madeira (de autor coevo mas desconhecido), e posteriormente (seguramente depois de 1731) rematado por Alexandre Coelho e Vitório Soares, artistas douradores de Ponte de Lima. Em linguagem exuberante ou mais serena, através dele se evocam os passos das vidas, mortes, ressurreição e assunção de Cristo e da Virgem.

Ainda a respeito da história, no livro Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, pode ler-se textualmente:

«A primeira referência conhecida a esta freguesia data de 915 e reporta-se à doação feita por Ordenho II a Santiago de Compostela da "in ripa Limie villam quam vocitant Cornelianam (...) et in ea ecclesiam Sancti Thome apostoli".

No século XI, há documentação relativa a esta igreja nos anos de 1061, 1063 e 1065.

Em 1097, o conde D. Henrique e D. Teresa confirmaram a Santiago de Compostela a  doação da "villa Corneliana". 

São Tomé de Correlhã aparece, em 1220, inserida na Terra de Ponte.

Em 1258, nas  Inquirições de D. Afonso III, enquadrava-se no julgado de Correlhã. 

No catálogo das igrejas, organizado em  1320, a igreja de São Tomé de Correlhã, foi  taxada em 300 libras. Gozava, pois, de uma  razoável situação económica. 

No registo da cobrança das "colheitas" dos  benefícios pertencentes ao arcebispado de  Braga, feita entre 1489 e 1493, D. Jorge da Costa refere que o rendimento desta igreja era de 30 libras ou, em dinheiro com "morturas", 2.280 reis. Pertencia então à Terra de Penela.

Em 1528, o Livro dos Benefícios e Comendas atribui-lhe 70 mil réis de rendimento.

Américo Costa descreve-a como reitoria da apresentação do Ordinário e comenda da Ordem de Cristo, da Casa de Bragança.»