Marcos Históricos
....São inúmeros os vestígios (edifícios, marcos, documentos, etc.) que chegaram aos nossos dias e atestam todo um rico historial desta freguesia com a importância que a mesma teve através dos tempos sendo de referir que aqui vão enumerados alguns dos que nos foi possível visitar e registar mas por falta de formação especifica na matéria da nossa parte aliada à falta de interesse ou mesmo desconhecimento das entidades oficiais e, em alguns casos, dos actuais proprietários e/ou responsáveis dos mesmos tendem a entrar em degradação total que a curto ou médio prazo levarão ao seu desaparecimento.
Pedra da Cruz
....O
exemplo bem representativo desta realidade é a situação
em que se encontra a já referida "Pedra da Cruz" (ver figura
3) que se apresenta praticamente submersa em detritos, num «galinheiro»,
tendo sido necessário uma escavação apressada para se poder
verificar da genuinidade da mesma e para a qual o futuro se apresenta pouco
risonho.
....Ainda
em referência à Pedra de Cruz e à divisão da freguesia
conta desses tempos antigos o P. Cardoso que:
“no
sítio de Pedra de Cruz, divisa desta freguesia da de S. João Baptista,
do couto da Queijada, junto à estrada real, que vem da vila de Ponte
de Lima para a cidade de Braga, há um monumento feito de pedra lavrada,
assentado na superfície da terra, com duas pedras lavradas nas pontas
levantadas como pirâmides redondas. Terão de grossura um palmo,
de altura três, e outros três de largo. A mesma largura do monumento
é formada à maneira de sepulcro, mas não se sabe se ali
jaz algum cadáver sepultado, ou seria feito para baliza do couto da Queijada”.
No fascículo do “Cardeal Saraiva” Semanário Regional
com quase cem anos de publicação, intitulado SERÃO - Por
terras Limianas <ANAIS> publicado entre as décadas de 60 e 70,
sensivelmente, é descrita como “- Esta «Pedra da Cruz»,
marco divisório de freguesia, é, nem mais nem menos, do que uma
cabeceira de sepultura medieval, com todas as suas características, tendo
a um dos lados, afundados, os quatro gomos da Cruz de Malta e do outro um grande
círculo; no topo, a espinha tão comum nestes monumentos”.
Casa de Barreiros
....A
Casa de Barreiros incluída na Quinta e Lugar do mesmo nome deverá
encerrar alguns factos dignos de
registo,
mas encontra-se em total estado de abandono. Possuía Capela própria
(os Santos foram vendidos e passou a funcionar como adega !?!) e ostenta no
arco do portão principal um brasão cujo significado desconhecemos
e, segundo familiares próximos dos últimos proprietários,
o último registo conhecido data do Séc. XIX (6 de Maio de 1899)
e menciona que um Padre natural da freguesia de Vitorino de Piães lega
às suas duas sobrinhas a mesma Quinta de Barreiros sendo mais tarde adquirida,
possivelmente no início do Séc. XX, pela família Gonçalves
Vieira da Cruz que a deteve até à pouco tempo mas que, neste momento,
se encontra ao abandono e, segundo consta, doada à paróquia de
Anais, ao Santuário do Sameiro e Seminários de Braga e Viana do
Castelo mas, com os encargos estabelecidos na respectiva doação
dificilmente terá o futuro que, certamente, mereceria.
Quinta dos Castros
....Também no Lugar de Carreira Cova, perto da Igreja, temos a Quinta dos Castros (ou de Carreira Cova) que, muito provavelmente, foi pertença da família “Castros” já atrás referida "... hoje são senhores delle os Castros, senhores de Roríz, Rozendo, & Bem viver, Almirantes do Reyno ..." referindo-se aos responsáveis pelo concelho de Albergaria de Penella e possui uma casa principal de boa construção que seria a casa dos senhores além de casa da criadagem onde viviam ainda á pouco tempo os rendeiros da Quinta estando neste momento desabitadas e bastante degradadas mas, segundo consta, os actuais proprietários (de nome Castro mas não há informação certa e credível se serão descendentes dos já referidos) as colocaram à venda assim como a grande Quinta envolvente que se encontra subaproveitada (com bons campos de cultivo, arvores de fruto e nascentes de água) devendo mudar de mãos brevemente para serem recuperadas e rentabilizada, por exemplo em Turismo de Habitação para o qual dispõe de óptimas condições.
Casa de Sandim
....Em
relação ao lugar de Sandim já mencionado anteriormente
ainda hoje existe nesse local a casa com o mesmo nome que é pertença
da família Cerqueira Gomes e tendo sido reconstruída á
pouco tempo ainda mantém alguns traços que atestam da sua importância
no passado tais como um portão com arco superior em pedra na entrada
principal além das “famosas janelas” que deram origem á
designação de "casa grande de Sandim com 7 janelas voltadas
para o mar".
Casa de Teixe
....A
quinta de Teixe situada no lugar de Casas Novas, possui a Casa de Teixe que
se encontra reconstruída e a ser usada como Turismo de Habitação
além de estar também incluído neste conjunto a anteriormente
já referida Capela de Nª Srª do Rosário que se encontra
em avançado estado de degradação e com possibilidade eminente
de perda de todo o seu recheio e valor histórico que encerra. Segundo
nos foi possível apurar esta casa e anexos teria servido, no passado,
para alojamento e descanso dos peregrinos de Santiago de Compostela cuja estrada
romana denominada "Caminhos de Santiago " entrava na freguesia através
do Rio Neiva junto ao lugar de Lagoeira, prosseguindo pelos lugares de Venda
(que faz fronteira com Goães, concelho de Vila Verde), Xisto, Talho,
Souto, Varziela, onde existem também umas "Alminhas" denominadas
«Sr. dos Perigos» com marcos onde há inscrições
datadas de 1720 e serviriam como referência e protecção
para os referidos romeiros, depois Malhos, Cruzeiro, onde há também
mais umas "Alminhas" denominadas «Senhora dos Caminhos»
e indo passar pelo lugar de Albergaria em direcção a Pedra de
Cruz e Empegada (já pertencente à freguesia da Queijada).
Bom Jesus
....Era
corrente em Anais ter duas coisas boas: a Capela do Senhor do Bom Jesus de Anais
e a água da poça do Mominho (em vias de desaparecer ou, pelo menos
deixar de brotar no mesmo local, devido às captações para
abastecimento público efectuadas junto a esta nascente) que serve muitos
consortes. A ermidinha denota, pelo exterior, ser edificação simples
do Séc. XVII.
....Vale
a pena visitar-se. As talhas do altar mar e dos altares laterais são
efectivamente do estilo de seiscentos, caracterizado pelo franjado dos dosséis,
e pela colunas salomónicas, com aves, frutos e anjinhos.
Imagens de nota: um S. José e uma Nossa Senhora, ajoelhados ambos, de terracota.
....Estas
duas figuras fariam parte inicialmente de uma Adoracão ao Menino, que
desapareceu. Altura de cada uma destas imagens: 0,36. Há também
um S. Francisco e uma Nossa Senhora do Rosário, ambas de madeira, de
0,70
cada, titulares de cada um dos altares laterais além da imagem do Sr.
da Cruz, que se venera no altar mar , mas se afigura não ser de bom autor.
A capelinha sofreu obras de restauro em 1935 onde foram cometidos alguns atropelos,
embora com a melhor das intenções, tais como a colocação
de azulejo do lambriz e cimentação do pavimento além de
terem modificado a colocação do púlpito e destruíram
a escada para ele, que era então pelo corpo da capela e passou agora
a ser pelo interior de um anexo à sacristia. Pintaram o tecto uniformemente,
destruindo a pintura antiga que ainda se pode distinguir e que deveria ser em
brutesco, ou seja policromada, com florões, lacetes e figurado; o forro
do coro apresenta-nos pinturas alusivas à MORTE, ao ]uízo, ao
Inferno e ao Paraíso, conforme se pode ler sobre as respectivas alegorias.
O púlpito encontra-se também todo colorido e igualmente coloridas
se encontram todas as pedras do arco do cruzeiro e as dos arcos dos altares
laterais devendo estas pinturas ser merecedoras de um estudo pormenorizado dada
a sua raridade. Há também um cruzeiro colocado no adro estando
historiado na base.
Na zona envolvente desta Capela existem dois cabeços cheios de massas
de granito denominado o «Curro das Eguas» (como já foi referido
anterionnente sempre houve aqui muito gado cavalar) resultando este nome do
resguardo formado por dois penedos que formam uma área protegida que
era usada pelos referidos animais para refúgio e pernoita uma vez que
era prática corrente serem largados para o monte para se alimentarem
e reproduzirem e só os iam buscar para servirem de transporte nas deslocações
mais ou menos lonjanas dos respectivos donos.
Torre dos Mouros
No
morro do lado norte existe a «Torre dos Mouros» ou seja um imponente
grupo de formidáveis penedos arredondados que se em pilham uns sobre
os outros. Esta singular massa está lurada sendo a entrada principal
aberta
para o ocidente. Entra-se para uma pequena sala o que se segue um corredor que
só se pode percorrer de gatas e desemboca-se numa verdadeira sala circular,
com uma pequena prateleira da própria rocha, ao lado direito. Escavado
o chão, mesmo ligeiramente, foram encontrados fragmentos cerâmicos
do tipo castrejo não sendo detectadas qualquer tipo de pinturas nas paredes
sendo recolhidos mais alguns fragmentos cerâmicos à entrada e exterior
da caverna não restando dúvidas de que a caverna foi habitada
pelo homem pré-histórico e o local bem merece uma escavação
feita conforme as regras dos actuais trabalhos científicos não
devendo certamente de deixar de revelar surpresa aos investigadores. Associado
a este local existe mesmo uma ocorrência relatada pelos mais velhos que
encerra uma tragédia ocorrida, alegadamente, entre os anos 20 e 40 deste
Séc. XX e que se resume ao desaparecimento de um indivíduo residente
numa freguesia vizinha, mais propriamente no lugar de" Azedo, Duas Igrejas,
que logo depois de uma "vessada", se dirigiu à chamada poça
da Masseira e não mais apareceu em casa tendo sido procurado pelo monte
e nas freguesias mais próximas mas nem rasto se encontrou. Dias depois
constou que nas imediações da poça havia um cheiro horrível,
como que alguma coisa ali jazesse mas depois de investigado nada que fedesse
foi encontrado e tal cheiro desapareceu como que por encanto. Meses passaram
até que, um dia uns rapazinhos que andavam no monte entraram por brincadeira
na lapa da Torre dos Mouros e saíram espavoridos dizendo que havia dentro
umas coisas brancas e umas luzes esquisitas. Alguém lá foi levado
pela curiosidade e na tal prateleira deu com um esqueleto de um ser humano!
A coisa constou e foi um alvoroço e todo o povo lá acorreu. O
que restava do esqueleto (já lhe faltavam algumas partes talvez levadas
por raposas ou lobos), por uns restos de roupa e pela chancas, foi reconhecido
como o Agostinho (assim se chamava) desaparecido. Atado nas vértebras
cervicais restava um cordão, como que a pretender dizer que a morte se
dera voluntariamente por enforcamento. Mas a justiça investigou ... e
veio a apurar que se tratara de um ajuste de contas por parte de outros lavradores
com quem o mesmo tivera desentendimentos e o ameaçaram de morte
tendo concretizado estas ameaças (segundo confessaram) junto à
referida poça da Masseira mergulhando-o na mesma depois de morto à
paulada e, posteriormente, depois do tal cheiro ser detectado, fizeram o seu
transporte para este local percorrendo cerca de 2 Km com este macabro carregamento
por verdadeiros caminhos de cabras. Foram julgados e condenados pelo Tribunal
de Vila Verde. De referir que devido à grande abundância de penedos
nesta zona há indícios de tentativa de aproveitamento do mesmo
para esteios (detecta-se um penedo aberto a fogo) mas foi abandonado por o granito
apresentar muitos galhos brancos, ou seja, mostrar massas grandes, como nogões,
de quartzo e no local existem actualmente lugares com as designações
de Fonte da Barca, Pedras Negras e a Pedra dos Sete Carregadores além
da referida poça da Masseira que estão certamente ligadas a esta
ocorrência.
Igreja Paroquial
....A
igreja paroquial situa-se no lugar do mesmo nome mas há algumas referências
pouco claras de que se teria
localizado
em outro local não sendo possível precisar qual (refere-se o monte
do Castelo como o local primitivo mas a sua localização actual
é precisamente nas proximidades deste mesmo monte e a haver mudança
essa terá ocorrido, provavelmente, no ano de 1673 como refere o "Dicionário
Enciclopédico" e conserva alguns traços quinhentistas tendo
sofrido obras de recuperação e alargamento (entre 1.968 e 1975,
aproximadamente) com a construção de duas capelas laterais tendo
a configuração interna em forma de cruz orientada para nascente
e amplas janelas laterais para aproveitar a luz natural. Mais tarde foi construída
a residência paroquial e um Salão para apoio às actividades
de Igreja e iniciativas de âmbito lúdico e cultural levadas a cabo
pelo Agrupamento Nº 367 dos Escuteiros, pela Associação Desportiva
“Anais Futebol Clube” ou mesmo outras associações
que cá se deslocavam com espectáculos de teatro, música,
dança ou outras.
Rodinha do Castro
....No
aro da actual freguesia de Anais há outros vestígios arqueológicos.
Assim no monte da «Rodinha do Crasto» existe um marco divisório
onde a tradição diz que há um tesouro e uma estrada à
volta do cabeço toda lageada de ouro mas que até á data
não foi detectada havendo neste local um marco de divisão de freguesias,
pensamos que relativo a Cabaços, Friastelas e Fojo Lobal (carece de confirmação
esta “fronteira”) estando o mesmo meio dissimulado por entre mato
e pinheiros na parte oeste da freguesia.