Historial

....As origens da freguesia de Anais remontam às épocas pré-históricas. Os vestígios mais antigos, até hoje conhecidos, encontram-se na chamada “Eirinha do Crasto”, um povoado castrejo da Idade do Ferro, de onde se terá originado o povoamento da freguesia a partir da época romana. Os testemunhos da romanização estão patentes nos restos de tégula (telha romana), mós manuais, cerâmicas, etc., que aparecem, por exemplo, na área da Igreja e passal e sobretudo em Sandim, um topónimo de origem visigótica, que foi o nome primitivo da freguesia, como vem referido no Gensual de Braga, do Séc. XI, onde se lê: "De Sancta Marina de Sandim VI quartarios", ou seja, 36 rasas de pão (que a freguesia pagava à Sé de Braga, aquando da restauração da catedral).
.......O mesmo se confirma em meados do séc.
XII, ano de 1146, no documento n° 559, do chamado "Liber Fidei",
que se encontra no Arquivo Distrital da Biblioteca de Braga: "in villa
de Sandi et integram Turrim et quartam de ipsa ecclesia que vocatur Sancta Marina"
(explicitando: Elvira Pais doou à Se de Braga a quarta parte que possuía
na vila de Sandim, na igreja de Santa Marinha na Quinta e na Torre integralmente).
(Ver "O Bispo D. Pedro..., de Cón Dr. Avelino de Jesus da Gosta,
Vol. II, p. 132).
No séc. XIII, Sandim ainda perdura como o nome da freguesia, como se
pode ver nas Inquirições de D. Afonso III, de 1258: "In collatione
(freguesia) Sancta Marine de Sindy ... in cima de vina d’Albergaria"
Julgado de Penela.
A mudança do nome para Asnais (Anais) deu-se nos fins do séc.
XIII, como consta das Inquirições de D. Dinis, do ano de 1290:
"Fryguesia de Santa M.a (Marinha) de Asnâaes (Asnais) - Termo de
Penela. (Idem, "0 Bispo D. Pedro...).
.......O
topónimo Asnais ainda hoje perdura num lugar da freguesia bem com o de
Sandim. A mudança para Anais ficou-se a dever ao mal soante "asnais",
de asinales, local de pastio ou criação de asnos que até
poderiam ser animais de carga do concelho, pois Anais foi cabeça de um
julgado medieval ou concelho de Penela com sede em Albergaria, junto à
estrada romana, onde ainda hoje se encontra o edifício da câmara,
bem como o pelourinho como iremos referir mais à frente neste apontamento.
Foi notável na freguesia a família dos Castros, como relata o
P. Carvalho da Costa na sua Corografia.
.......A
toponímia da freguesia regista nomes bem antigos, muitos dos quais mencionados
nas ditas Inquirições de 1258, como: o já referido Sandim
e Sesufe (este já não conhecido), nomes visig6ticos como o são
também Landim (por Nandim) e Rande, embora estes dois não citados
nas Inquirições que citam muitos outros, como: Agrela, Albergaria
(que era albergue ou pousada e estalagem para os transeuntes na estrada romana),
Asnais, Avelendas, Bouça, Casal, Castineiro (Castanheira ?), Codesedo
ou Codessido, Vila Cova (Carreira Cova ?), Roteia (Arroteia ?), Castelo, Gândara,
Gestal, Merouços, Painçais, Pereiro, Pomar de Lar (Lala), Quintas
("erdade das Quintas"), Ribelas, Seara, Teixe, Covão, Monte
de Francos (dona Franca ?), etc. E toda a outra toponímia da freguesia,
embora não haja dela documentação antiga, pode sê-lo
tanto ou mais que esta.